sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dona Rafaela

----Dona Rafaela sempre verifica as toalhas-de-mesa da cozinha e da sala, antes de sair;
para ver se estão perfiladinhas à maneira dela. E o seu penteado.
----O cheiro de seus biscoitos à forno pairam longe!
seus bolos, bolachas, seus banho-e-maria de creme de leite, etc e tal são perfeitos.
É uma pena ser fissurada em forno e na presilha rosa de seu cabelo.
----Seu cacoete com o queixo se intensifica quando escuta uma boa piada.
Há! Muito engraçado.
----Dona Rafaela teve um amor marinheiro quando jovem, e o espera até hoje.
Já não é tão engraçado assim. Mas ainda sim, é-a feliz.
----Ele disse uma vez algo sobre cabelos soltos. Parece que ela o espera para soltar.
(...)
Seu nariz sempre foi fino.
E ela jamais gostou de Vinil.
Dançar, por vezes, fora seu hobby, mas
nunca saíra do canto de seu sorrido-de-lábios olhando um belo casal o fazendo.
Dona Rafaela morreu tentando mudar algumas coisas.
As quais ela mesmo não sabia que já tinham mudado há muito.
Engraçado ou não, ela nunca reparou.
(...)
Foi embalsamada de cabelos presos. E com a Dúvida. E sem o Marinheiro.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Enquanto isso, ou aquilo ...


Vou à pé de onde pra aonde:
Por quando ando
Por quanto canto
Ou por onde planto.

Monto o manto atrás
Ponho o sonho no cais
E viajo mesmo sem passagem
À margem de quem só fala que faz.

(ps.: É uma criança especial)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Minha vida acordeônica

Meu acordeon desafinado?, mas
Quem disse que acordeon desafina?
Quem disse que linhas retas se entortam?
Quem disse?
Quem reclamou o momento?
Quem?
Quem cuspiu no próprio prato?
Quem? Que ato?
Talvez o fato...
Seja
Que minha vida não é
Nem grossa, nem fina.
Ora pois, quem foi que disse que acordeon desafina?