domingo, 22 de dezembro de 2013

eu sou você!

O amor que você plantou, cultivou... Nasceu.

A dor que você não alimentou, piorou... e escorreu:

no canto da boca, pelo canto da boca (...)
ôca! como a sua preguiça de perceber
que você, sou eu.

sábado, 30 de novembro de 2013

A abelhinha que mordiscava o pão da janela da vizinha,
enquanto batia as asas que tinha,
já mirava o próximo voo.
Que levantou depois que o sol se foi
pra de trás do buquê de árvores
e por cima, passou, de um boi 
e um montão assim de lajes.
Mas chegando onde chegou
se lembrou de que quereria
mais,
então voou de novo por onde passou
feliz do jeito que a abelhinha faz.

sábado, 2 de novembro de 2013

Repare bem. Que mal tem?!

Palavras, vento e martírio.
São tudo a mesma coisa:
só servem
para
refrescar embaixo
da saia
da puta
que quer
se
esconder do mundo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Trovas, e trovas, e trovas...
Mas ai você bate de novo
E trevas, e trevas, e trevas...



Grita mais uma vez
...e trovas...

Desiste
...e trevas...

Cospe
...e trovas...

Olha pra traz 
...e trevas...

Olha pra frente
...e trovas...



afinal de contas...
você não merecia mesmo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Vez por outra, tenho vontade de nunca sair de meus poemas.

Neles tudo posso.
Tudo faço.
Tudo costuro.
E o faço perfeito:

A flor, o belo, o dia, o mar, o peido, o ronco, o beijo, a ignorância e o amor.

Os passos, a música, a calvice, o click, o arcaico, o jovem, a paciência, a pedra e o dinheiro.

A esperança, a vassoura, a comida, a ida (ou a vinda), a fera e ela.

A megera, o corrupto, a química, a pista, o segredo, o dedo e aquele pistoleiro.

A letra, a dança, a matança, a recaída, o adultério, o mundo, o cru e os livros.

A chuva, os planetas, as ideias, os assaltos (ou furtos), as canecas, os cafés e os quase tudo.

Menos a tinta para essa caneta...
Pois meus poemas são feitos de sonhos e, de vez em quando, eu ainda tenho que acordar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tem gente que anda te vendo
Tem gente que anda se escondendo
Tem gente que anda reparando 
Que você está caminhando.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Não há legenda, tradução ou qualquer tipo de blindagem
Não há resquício, migalha ou qualquer tipo de resto
Não há suave, só seco
Não há ternura, só indelicadeza
E também não há quem ponha a mesa
Muito menos empregado do Diabo
Muito menos um mapa
Muito menos um diário ou uma receita
Muito menos o "menos"

Só existe o tudo:
Tudo está em todos
Todos querem tudo
Sem terem nada, senão a eles mesmos.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ás


Não havia cartada decisiva. 
A manga estava vazia. 
(Como vazia está a praça, a página). 
O fato é que não deu, mas poderia ter dado.
...
Já que não deu, por que ainda pensar? 
-Dor física é muito insignificante e vaga perto do pretérito descuido e posterior arrependimento.
Se ausentar por covardia 
-constrói o martírio retórico
Descartar a oportunidade de agir ou de consequência
-é renegar a vida.
Mas remoer palavras em mente?
-é beijar o inferno à lábios secos.

A última 'carta' nem sempre está às mãos de fato.

quarta-feira, 26 de junho de 2013


O contraste do ambiente era macabro.

Raízes em lugar de frutos.
Sombras em lugar de Sol-nascente.
Era lama em pleno deserto.

E só porque era deserto, era certo aquela miragem?
E quem disse que a margem era segura?



O barulho veio conforme....
conforme...
um enorme...
enorme número de motivos.
motivos macabros;
macabros insultos;
e por ser insulto, logo ofensivo
porém, quanto mais ofensivo me tornava, mais recuava
e dava 
para ver que
conforme frutos mesquinhos iam nascendo
eu ia recuando,
mas nadando não era possível,
então me tornei passível.
passível de erro
e quando errei
ignorei
ignorei
...ignorei

e quando me dei conta vi que  
 o contraste do ambiente se tornava macabro
raízes em lugar de frutos 
sombras em lugar do Nascente 
Era lama em pleno deserto (...)

domingo, 19 de maio de 2013

E o seu uniforme era amarelo como seus olhos de pinga
E o seu andar de centopeia lhe denunciava
E o seu cigarro, quase apagado, era tremuladamente mal tragado
E os seus ombros carcundos estavam logo atrás dele
Mas e o seu chapéu de malandro?
Não estava lá.
Esqueceu-o em cima da cabeceira;
Entre o seu copo de café amargo e
A sua matinal desconfiança.

Não satisfeito
Tirou do bolso, ergueu e
Tragou mais um maço
E como era janeiro
Decidiu recomeçar

Começou pelo amarelo
Seguiu pelo andar
Deu nos ombros
Porém terminou tropeçando.

É como Salto Alto: quem tão  finge saber 'andar', logo é notado.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dona Rafaela

----Dona Rafaela sempre verifica as toalhas-de-mesa da cozinha e da sala, antes de sair;
para ver se estão perfiladinhas à maneira dela. E o seu penteado.
----O cheiro de seus biscoitos à forno pairam longe!
seus bolos, bolachas, seus banho-e-maria de creme de leite, etc e tal são perfeitos.
É uma pena ser fissurada em forno e na presilha rosa de seu cabelo.
----Seu cacoete com o queixo se intensifica quando escuta uma boa piada.
Há! Muito engraçado.
----Dona Rafaela teve um amor marinheiro quando jovem, e o espera até hoje.
Já não é tão engraçado assim. Mas ainda sim, é-a feliz.
----Ele disse uma vez algo sobre cabelos soltos. Parece que ela o espera para soltar.
(...)
Seu nariz sempre foi fino.
E ela jamais gostou de Vinil.
Dançar, por vezes, fora seu hobby, mas
nunca saíra do canto de seu sorrido-de-lábios olhando um belo casal o fazendo.
Dona Rafaela morreu tentando mudar algumas coisas.
As quais ela mesmo não sabia que já tinham mudado há muito.
Engraçado ou não, ela nunca reparou.
(...)
Foi embalsamada de cabelos presos. E com a Dúvida. E sem o Marinheiro.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Enquanto isso, ou aquilo ...


Vou à pé de onde pra aonde:
Por quando ando
Por quanto canto
Ou por onde planto.

Monto o manto atrás
Ponho o sonho no cais
E viajo mesmo sem passagem
À margem de quem só fala que faz.

(ps.: É uma criança especial)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Minha vida acordeônica

Meu acordeon desafinado?, mas
Quem disse que acordeon desafina?
Quem disse que linhas retas se entortam?
Quem disse?
Quem reclamou o momento?
Quem?
Quem cuspiu no próprio prato?
Quem? Que ato?
Talvez o fato...
Seja
Que minha vida não é
Nem grossa, nem fina.
Ora pois, quem foi que disse que acordeon desafina?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Absurdo

Mais um dia me saio a caçar bruxas.
E como outro qualquer, dia, ensaio
meus furtos, sobrevivências, lembranças, angústias, sabores, dores, etc.
Ergo as mangas, as sujo, por descuido.
Inclino e pego
meu arco e estacas, minhas botas, minha vergonha e meu corpo.
Abro as janelas, a mente, o saco de fichas.
Daí cai uma, ficha.
Parece...
Eu acho...
Bem, nao tenho como ter certeza
mesmo, levanto voo.
Se eu cair, será bom que
a sensação me fará acordar, ver as verdadeiras bruxas,
as verdadeiras facetas e as verdadeiras faláceas.
As verdadeiras que eu nunca saberei se são as próprias ou se,
de fato, existem mesmo.
Já que certas coisas morrem com a gente.
Até a dúvida.
Até os sonhos.
Até a dignidade.
Até nossas próprias bruxas, que
alguns por ai tem vontade de caçá-las.
...absurdo.

sábado, 16 de março de 2013

Caiu
cara
na lata
de patê
do vizinho
mocorongo.
Daí, ascendeu
ontem, e
caiu hoje.
ôje.
Viu
o que não viu.
Mas quem disse que era verdade?
A insanidade.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Nossos ditos, pois, serão nossos dogmas um dia.
Já que, enquanto não, só tenho tropeçado em minhas letras,
lutando para estar certo comigo mesmo.
Ah! Beleza humana onipresente.
...
Falo para não fazer... e faço.
Falo para não ir... e vou.
Tento me calar, mas acabo dando com a língua nos dentes.
Linda e bela, castiga-me sem misericórdia, irracionalidade.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Nunca fui, e já estou cansado de ser,
Nunca pedi, e já não aguento mais esperar
Nunca pensei que precisava pensar, pensar, pensar...

Contudo, sempre quando fui, jamais pedi pra ser,
Sempre que recebi, jamais encomendara,
Sempre que falei, percebi que jamais precisei falar, falar, falar...

Embora tantas coincidências,
Um pouco de sentido faz falta, falta, falta...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Poemas e Gostos

Eu quero que tu cozinhes para mim
Eu quero que tu cozinhes  para eu poder provar
Eu quero poder provar do seu papá
Pois um dia, quando a gente casar,
Eu vou querer e precisar
Que tu cases poemas em nosso lar.
Poemas cujos gostos serão casados com temperos
Exalando o corriqueiro...
O Corriqueiro hábito do café na cama,
De você de pijama,
De quando a gente se ama,
De quando a gente janta,
De quando,
Na lama,
A gente levante e fica de pé.
É.
Mais ou menos isso.
Aqui, ali, a co lá.
Lá.
Em nossa casa que eu irei poemar o seu papá.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Vida de uva


Gostaria de viver num mundo onde todos dessem bom-dia
Gostaria que todos soubessem o porquê do cheirinho de chuva
Gostaria que o mundo fosse mais alegria
Gostaria que a vida fosse eternamente um doce de uva

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Livre é aquele que pode voar,
Feliz, também, é aquele passarinho que pode cantar
Canções que nos façam perceber
Que para viver
Oh, bem viver!
Tão somente basta ter
Que as escutar.