terça-feira, 20 de novembro de 2012


Pernas desconcertantes, labaredas de fogo
Um vale, um poço, um osso
Moço? quem me dera
Era, inclusive, a mera
Só a mera (...) coincidência
Dessa megera
De novo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Caricatura

O que é amar? sonhar?
Não foi o que eu fiz? quis?
Claro!
Muito árduo
Isso, mas de novo?
Como um ovo,
Não sei me comportar.

Em mim só o que eu preciso:
Você, ar, imaginar
Mas minhas gargalhadas,
Ou o seu sorriso?

Por que dessa literatura?
de voar,
sem asas?
de explicar,
sem letras?
de gangorra,
só de um?
Já a amo antes de lhe terminar
Minha caricatura.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012


O caminho é longo até o fim da descida. Na verdade Todos já haviam dito que era, não é nenhum mistério. Ora, mas veja bem: que é longo eu vi - refuta Jasmim-, o que não quer dizer que eu saiba como é. Aliás, esses Todos, são os Todos os quais que simplesmente só 'dizem'. Eu já os conheço, se for assim até o vento fala, e nem por isso eu consigo voar ou estar em todos os lugares como ele.
Apesar de quê, ainda caindo, ele está aqui presente comigo... pelo menos ele!
Infinitos 'olás' e 'como vais' ele tem sussurrado em meu ouvido desde quando eu me atirei...
Engraçado, Domingos ficou o tempo todo esbarrando em mim e agora vem me cumprimentar: falando, assobiando, cochichando, etc... agora ele está aqui, invisível, porém pertinho de mim, caindo comigo.
Será que ele vem junto comigo até o fim dessa vez? Será que dessa vez vai?
Vez por outra eu imaginei que sim. Não sei porquê, só sei que sim.
Só sei que sim, pois foi pelo 'sim' que eu aprendi ouvir a Todos e também foi quando me tornei eu por Jasmim.
Que intrigante essa coisa de ser, estar e precisar... quem foi que inventou isso? Para quê nome pra tudo?
Domingos fala comigo como se eu entendesse o que um Vento diz. Ademais, vários nomes para tantas coisas; estas com tantos números e valores em uma velocidade (...)

!!! Domingos, pare com essa conversa que eu não entendo.

Por que me cumprimentas? Não sou como você... não me desfaço e recomponho-me com tanta facilidade que nem você!
Bom, se tantos nomes, então, já existem e alguns até servem para contar... será por isso que existe um sentido pra tudo isso que Todos ouvem falar o tempo todo? 
...
Daqui eu já o vejo um pouco melhor: o Chão está tão argiloso que quase não o reconheço; quase não parece com o chão estatualizado e monótono que eu mirava. Daqui a pouco estaremos juntinhos, lindos, num só, complementando o ciclo orgânico desse meio orgânico de valores orgânicos.

Ah! Que angústia aterrorizante essa de percepção!

Se já não bastasse ser, estar e precisar, observar também alimenta nossa crítica que demoniza tudo e a todos; principalmente a nós mesmos quando paramos pra pensar nisso. Talvez seja isso, talvez seja aquilo e eu caindo sem poder mudar nada... mas mesmo assim continuo pensando.

Parei de olhar; arranquem-me os olhos!
Mas continuarei vendo números e nomes, já que são completamente abstratos.
Então me arranquem o pensar!
Mas continuarei vivendo e exalando, já que raciocinar e viver não necessariamente andam juntos.
Pois que seja, arranquem-me a vida!
De uma vez por todas esse exagero hipócrita, mesquinho e fascista tem que acabar.
Não vivemos porque queremos, e sim porque podemos.
Tanto eu, quanto Jasmim ( eu mesma ) não fazemos sentido, aliás foi quando comecei a contestar isso que me desprendi e abri mão do que me sustentava; em seguida passei a enxergar Domingos que tanto me ajudava a viver, e agora me ajuda a cair... e ainda me ajudando a terminar de viver, me ajuda a enxergar a Queda.
A queda que ninguém quer ver, a queda que está logo atrás de nossos calcanhares e que tão somente precisamos só de um assopro para enxergá-la.
...Uma queda de vida, uma queda de medo, uma queda só de ida, e um vento que não mais vejo.

- Uma sã Jasmim que parasitava no alto de uma Árvore.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Homem Subterrâneo

Engraçada é aquela que pensa ser 'a Formousa'
Engraçado é aquele que pensa ser 'o Bom'; 'o Feliz'; 'o Tênue'; ou - para quem se identifique mais - 'o Exemplo'.

A Tirania da Felicidade lhe impõe, lhe aliena, e furta o que o Antropo tem de melhor: a capacidade de distinguir.

Demasiada Felicidade irrita!

Dê uma dose de Tristeza e Angústia a esse infeliz e opaco Subterrâneo.
Dê uma segunda chande à vida dele.

Caso contrário, melhor um tiro no peito, a amenizar esse sofrimento 'Inxergável'.

domingo, 8 de julho de 2012


O cravo que nunca existiu apaixona-se pela rosa que nunca nascera.

Por um motivo qualquer, Sebastião vai à casa de Carla.
Após a chegada, bate-se à porta e uns profundos e, aparentemente intocáveis, olhos azuis o atende.
-Por favor, senhor, entre – disse a moça despindo um sorriso tímido.
O rapaz entra meio desconfortado, atravessa sua varanda e espreita obliquamente os detalhes da casa da menina, enquanto a esperava convidá-lo à sua sala.
-Tens uma casa muito bonita senhora – embora, evidente, que não era bem a casa que lhe gostaria ter elogiado, mas valeu uma manifestação qualquer.
Carla agradece e faz uma reverência amena enquanto se desviava a algum cômodo. Logo volta com uma bandeja com pires sob xícaras de café, reluzindo uma fragrância apetitosa e remetendo lembranças familiares à Sebastião.
-Obrigado senhora – responde Sebastião, furtando-lhe os olhares às abóbadas da sala da moça.
-Não me chame de senhora, por favor. Chame-me por Carla...
Ouvir aquilo, sendo mirado por aqueles profundos, fascinou-o.
Sebastião a observa levantar e se dirigir à saída para o quintal de trás. Quando ela alcança a porta primeiro, um vento ligeiro assalta seus cabelos, cujo preto, demasiadamente brilhoso, exalta Sebastião. Como se estivessem lhe dizendo: “venha, atrás de mim; procure por mim”.
Sebastião se levanta. Em seus olhos não se achavam o chão, apenas imagináveis estrelas do cabelo da moça e a refração das luzes das janelas que estavam meio fechadas.
-Eu vou (...) – pensou ele.
Carla desaparece da porta como a vida verde escura da dormideira quando tocada. Más línguas, se vissem, talvez diriam que ela exalava ferormônio.
Sebastião como um felino curioso exaltado, pôs-se à porta. Podia-se até ouvir o estalar dos tamancos de madeira que orquestravam aquele chão.
Ao chegar àquela e depois que suas retinas se acostumaram à luz do gigante vermelho, Sebastião, perplexo, com as sobrancelhas conjuntamente com os cabelos bagunçados, deparou-se com um imenso, quase infinito, Jardim de Cravos, habilmente desenhado a mãos de um paisagista dedicado.
Com o susto, Sebastião enxergava muito comprida a escada que levava ao jardim. Mas que não tinha mais que cinco ou seis degraus curtos.
-Carla? – primeiramente baixinho.
-Carla???
-(...)
Sebastião não compreende o por quê do sumiço. Pergunta-se o que estaria fazendo ali. Não havia motivo algum. Viu-se como uma borboleta quando não acha o néctar da flor.
Alguns momentos a mais, e Sebastião adentra aos primeiros metros do jardim. Não sabe porquê nem pelo o quê. Mas fez.
Uma mistura de confusão e fascinação pipocava seus sentidos. Os cravos pareciam conversar com ele, como uma medusa faz com seus marujos.
Ele continua a caminhar. Entra. Vira. Volta. Atravessa uma muralha de cravos. Abre uma frecha em outra. Tapa os olhos, às vezes, quando perpendicular ao gigante ia. Até em uma curva, não diferente das outras, estabanadamente, corta-se em um espinho.
Gotas daquele denso vermelho-fogo respigam no gramado, ao chão de grama e barro argiloso.
Sebastião cai em si. Tenta fazer, semelhante a um torniquete, uma compressa sobre o corte com um pedaço de pano que acabara de rasgar de sua roupa.
Ele não sente arder, nem dor, muito menos acha o maldito espinho que o cortara. Começa a reparar, lentamente, à sua volta. Não vê nada além da melanina verde mística das folhas dos cravos flor-marrom-madeira.
Ao copo que o cravo fazia com suas flores, até se podia ver uma perfeição geométrica.
Sebastião então se vê perdido... altos muros erguidos de cravo, inúmeros caminhos: Curvados, retos, oblíquos. E nada de começo ou fim.
É quando Sebastião se senta, naquele barro argiloso mesmo, e repara melhor seu corte, possivelmente estancado agora.
Contudo, não sabe se fica mais espantado em como foi parar ali ou em como a arranhado sumiu.
-Como? – Indaga-se.
De repente os Profundos emergem dentre as folhas marrom-madeira, manifestando um contraste teatral entre os azuis e os marrons. Era Carla. Não menos linda. Não mais ausente.
Carla toca-lhe no destro, o qual foi ferido, e desfaz os nós de pano mal feitos. Levanta-o. Compartilha-o os lábios. Aponta para uma direção qualquer. Depois some novamente.
Sebastião sorria não sorrindo.
-É um sonho, não pode ser.
Tenta dar por si, porém, não vê nada de real. Pensa não ser nada concreto. Nada físico. Nada palpável.
Acha que só porque passou a vida, irrefutável que pensou ter, simétrico ao comum, poderia duvidar.
Seu paradigma, agora, estava sem alicerces.
O coração batia arrebatadamente. E um sentimento comum de pessoas comuns o surpreendeu...
-Você não está sonhando Sebastião – ratifica Carla, interrompendo-o em sua retórica -; mas se estamos nele, então, ora, aproveite-o.
-Não é todo dia que o mesmo cravo que te fere é o mesmo que te cura, é o que me apresenta, é o que te faz me desejar, ou, tão somente, é o que te prova que são válidas todas as formas de amor...
-Até mesmo aquelas em que a gente só enxerga em cor flor-marrom-madeira, em nossos sonhos.
Sebastião apaixonou-se pela primeira vez.

domingo, 1 de julho de 2012

O problema está na Existência
ora, por quê?
Oh, eu vos digo: (...)
e então, desistiu?
Pois é; me consomes
o que?
Vossa Mercê
fiz-te algo?
Estais fazendo
o que?
Existindo
vejam só, queres um mundo só teu?
Agradar-me-ia muito, mas a felicidade pouco duraria
...Logo logo estaria tudo de novo como antes.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O poeta já não precisa mais de sua matéria-prima

As palavras doem, mas a calha é longa...
Escorre, escorre e escorre; e dái?!
Que rolem; bem ao fundo do ralo
Para que imperativem sua perplexidade.
É indiferente.
Agora, é do seu ventre que ascende a decepção
Pois do meu, ainda que tardia, ou até que chova, só há de escorrer (...)
[]
Bem; já não importa quantos "ãos" hão de se criar para rimar.
Meu poema já tem rima,
Minha vida já tem vida,
Estou renascendo sem corrida,
E eu hei de sobreviver.