quarta-feira, 31 de outubro de 2012


O caminho é longo até o fim da descida. Na verdade Todos já haviam dito que era, não é nenhum mistério. Ora, mas veja bem: que é longo eu vi - refuta Jasmim-, o que não quer dizer que eu saiba como é. Aliás, esses Todos, são os Todos os quais que simplesmente só 'dizem'. Eu já os conheço, se for assim até o vento fala, e nem por isso eu consigo voar ou estar em todos os lugares como ele.
Apesar de quê, ainda caindo, ele está aqui presente comigo... pelo menos ele!
Infinitos 'olás' e 'como vais' ele tem sussurrado em meu ouvido desde quando eu me atirei...
Engraçado, Domingos ficou o tempo todo esbarrando em mim e agora vem me cumprimentar: falando, assobiando, cochichando, etc... agora ele está aqui, invisível, porém pertinho de mim, caindo comigo.
Será que ele vem junto comigo até o fim dessa vez? Será que dessa vez vai?
Vez por outra eu imaginei que sim. Não sei porquê, só sei que sim.
Só sei que sim, pois foi pelo 'sim' que eu aprendi ouvir a Todos e também foi quando me tornei eu por Jasmim.
Que intrigante essa coisa de ser, estar e precisar... quem foi que inventou isso? Para quê nome pra tudo?
Domingos fala comigo como se eu entendesse o que um Vento diz. Ademais, vários nomes para tantas coisas; estas com tantos números e valores em uma velocidade (...)

!!! Domingos, pare com essa conversa que eu não entendo.

Por que me cumprimentas? Não sou como você... não me desfaço e recomponho-me com tanta facilidade que nem você!
Bom, se tantos nomes, então, já existem e alguns até servem para contar... será por isso que existe um sentido pra tudo isso que Todos ouvem falar o tempo todo? 
...
Daqui eu já o vejo um pouco melhor: o Chão está tão argiloso que quase não o reconheço; quase não parece com o chão estatualizado e monótono que eu mirava. Daqui a pouco estaremos juntinhos, lindos, num só, complementando o ciclo orgânico desse meio orgânico de valores orgânicos.

Ah! Que angústia aterrorizante essa de percepção!

Se já não bastasse ser, estar e precisar, observar também alimenta nossa crítica que demoniza tudo e a todos; principalmente a nós mesmos quando paramos pra pensar nisso. Talvez seja isso, talvez seja aquilo e eu caindo sem poder mudar nada... mas mesmo assim continuo pensando.

Parei de olhar; arranquem-me os olhos!
Mas continuarei vendo números e nomes, já que são completamente abstratos.
Então me arranquem o pensar!
Mas continuarei vivendo e exalando, já que raciocinar e viver não necessariamente andam juntos.
Pois que seja, arranquem-me a vida!
De uma vez por todas esse exagero hipócrita, mesquinho e fascista tem que acabar.
Não vivemos porque queremos, e sim porque podemos.
Tanto eu, quanto Jasmim ( eu mesma ) não fazemos sentido, aliás foi quando comecei a contestar isso que me desprendi e abri mão do que me sustentava; em seguida passei a enxergar Domingos que tanto me ajudava a viver, e agora me ajuda a cair... e ainda me ajudando a terminar de viver, me ajuda a enxergar a Queda.
A queda que ninguém quer ver, a queda que está logo atrás de nossos calcanhares e que tão somente precisamos só de um assopro para enxergá-la.
...Uma queda de vida, uma queda de medo, uma queda só de ida, e um vento que não mais vejo.

- Uma sã Jasmim que parasitava no alto de uma Árvore.

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