quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Homem Subterrâneo

Engraçada é aquela que pensa ser 'a Formousa'
Engraçado é aquele que pensa ser 'o Bom'; 'o Feliz'; 'o Tênue'; ou - para quem se identifique mais - 'o Exemplo'.

A Tirania da Felicidade lhe impõe, lhe aliena, e furta o que o Antropo tem de melhor: a capacidade de distinguir.

Demasiada Felicidade irrita!

Dê uma dose de Tristeza e Angústia a esse infeliz e opaco Subterrâneo.
Dê uma segunda chande à vida dele.

Caso contrário, melhor um tiro no peito, a amenizar esse sofrimento 'Inxergável'.

domingo, 8 de julho de 2012


O cravo que nunca existiu apaixona-se pela rosa que nunca nascera.

Por um motivo qualquer, Sebastião vai à casa de Carla.
Após a chegada, bate-se à porta e uns profundos e, aparentemente intocáveis, olhos azuis o atende.
-Por favor, senhor, entre – disse a moça despindo um sorriso tímido.
O rapaz entra meio desconfortado, atravessa sua varanda e espreita obliquamente os detalhes da casa da menina, enquanto a esperava convidá-lo à sua sala.
-Tens uma casa muito bonita senhora – embora, evidente, que não era bem a casa que lhe gostaria ter elogiado, mas valeu uma manifestação qualquer.
Carla agradece e faz uma reverência amena enquanto se desviava a algum cômodo. Logo volta com uma bandeja com pires sob xícaras de café, reluzindo uma fragrância apetitosa e remetendo lembranças familiares à Sebastião.
-Obrigado senhora – responde Sebastião, furtando-lhe os olhares às abóbadas da sala da moça.
-Não me chame de senhora, por favor. Chame-me por Carla...
Ouvir aquilo, sendo mirado por aqueles profundos, fascinou-o.
Sebastião a observa levantar e se dirigir à saída para o quintal de trás. Quando ela alcança a porta primeiro, um vento ligeiro assalta seus cabelos, cujo preto, demasiadamente brilhoso, exalta Sebastião. Como se estivessem lhe dizendo: “venha, atrás de mim; procure por mim”.
Sebastião se levanta. Em seus olhos não se achavam o chão, apenas imagináveis estrelas do cabelo da moça e a refração das luzes das janelas que estavam meio fechadas.
-Eu vou (...) – pensou ele.
Carla desaparece da porta como a vida verde escura da dormideira quando tocada. Más línguas, se vissem, talvez diriam que ela exalava ferormônio.
Sebastião como um felino curioso exaltado, pôs-se à porta. Podia-se até ouvir o estalar dos tamancos de madeira que orquestravam aquele chão.
Ao chegar àquela e depois que suas retinas se acostumaram à luz do gigante vermelho, Sebastião, perplexo, com as sobrancelhas conjuntamente com os cabelos bagunçados, deparou-se com um imenso, quase infinito, Jardim de Cravos, habilmente desenhado a mãos de um paisagista dedicado.
Com o susto, Sebastião enxergava muito comprida a escada que levava ao jardim. Mas que não tinha mais que cinco ou seis degraus curtos.
-Carla? – primeiramente baixinho.
-Carla???
-(...)
Sebastião não compreende o por quê do sumiço. Pergunta-se o que estaria fazendo ali. Não havia motivo algum. Viu-se como uma borboleta quando não acha o néctar da flor.
Alguns momentos a mais, e Sebastião adentra aos primeiros metros do jardim. Não sabe porquê nem pelo o quê. Mas fez.
Uma mistura de confusão e fascinação pipocava seus sentidos. Os cravos pareciam conversar com ele, como uma medusa faz com seus marujos.
Ele continua a caminhar. Entra. Vira. Volta. Atravessa uma muralha de cravos. Abre uma frecha em outra. Tapa os olhos, às vezes, quando perpendicular ao gigante ia. Até em uma curva, não diferente das outras, estabanadamente, corta-se em um espinho.
Gotas daquele denso vermelho-fogo respigam no gramado, ao chão de grama e barro argiloso.
Sebastião cai em si. Tenta fazer, semelhante a um torniquete, uma compressa sobre o corte com um pedaço de pano que acabara de rasgar de sua roupa.
Ele não sente arder, nem dor, muito menos acha o maldito espinho que o cortara. Começa a reparar, lentamente, à sua volta. Não vê nada além da melanina verde mística das folhas dos cravos flor-marrom-madeira.
Ao copo que o cravo fazia com suas flores, até se podia ver uma perfeição geométrica.
Sebastião então se vê perdido... altos muros erguidos de cravo, inúmeros caminhos: Curvados, retos, oblíquos. E nada de começo ou fim.
É quando Sebastião se senta, naquele barro argiloso mesmo, e repara melhor seu corte, possivelmente estancado agora.
Contudo, não sabe se fica mais espantado em como foi parar ali ou em como a arranhado sumiu.
-Como? – Indaga-se.
De repente os Profundos emergem dentre as folhas marrom-madeira, manifestando um contraste teatral entre os azuis e os marrons. Era Carla. Não menos linda. Não mais ausente.
Carla toca-lhe no destro, o qual foi ferido, e desfaz os nós de pano mal feitos. Levanta-o. Compartilha-o os lábios. Aponta para uma direção qualquer. Depois some novamente.
Sebastião sorria não sorrindo.
-É um sonho, não pode ser.
Tenta dar por si, porém, não vê nada de real. Pensa não ser nada concreto. Nada físico. Nada palpável.
Acha que só porque passou a vida, irrefutável que pensou ter, simétrico ao comum, poderia duvidar.
Seu paradigma, agora, estava sem alicerces.
O coração batia arrebatadamente. E um sentimento comum de pessoas comuns o surpreendeu...
-Você não está sonhando Sebastião – ratifica Carla, interrompendo-o em sua retórica -; mas se estamos nele, então, ora, aproveite-o.
-Não é todo dia que o mesmo cravo que te fere é o mesmo que te cura, é o que me apresenta, é o que te faz me desejar, ou, tão somente, é o que te prova que são válidas todas as formas de amor...
-Até mesmo aquelas em que a gente só enxerga em cor flor-marrom-madeira, em nossos sonhos.
Sebastião apaixonou-se pela primeira vez.

domingo, 1 de julho de 2012

O problema está na Existência
ora, por quê?
Oh, eu vos digo: (...)
e então, desistiu?
Pois é; me consomes
o que?
Vossa Mercê
fiz-te algo?
Estais fazendo
o que?
Existindo
vejam só, queres um mundo só teu?
Agradar-me-ia muito, mas a felicidade pouco duraria
...Logo logo estaria tudo de novo como antes.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O poeta já não precisa mais de sua matéria-prima

As palavras doem, mas a calha é longa...
Escorre, escorre e escorre; e dái?!
Que rolem; bem ao fundo do ralo
Para que imperativem sua perplexidade.
É indiferente.
Agora, é do seu ventre que ascende a decepção
Pois do meu, ainda que tardia, ou até que chova, só há de escorrer (...)
[]
Bem; já não importa quantos "ãos" hão de se criar para rimar.
Meu poema já tem rima,
Minha vida já tem vida,
Estou renascendo sem corrida,
E eu hei de sobreviver.

terça-feira, 1 de novembro de 2011




Quem te viu, quem te vê

quem me viu não o vê


e se não viu é porque não existe você


ora, acenda a luz, atenda à porta, e


veja quem está tocando a campainha


muito prazer, eu sou o amanhecer


e você, só é tão somente você depois que eu vou embora.





[Contos de uma noite que não existe]

domingo, 30 de outubro de 2011


Quisera eu ser um Deus
Para com uma Deusa casar
Quisera eu ser um pássaro
Para em sua flor poder pousar
Quisera eu ser o bandido
A sequestrar a mocinha
Quisera eu ser o mau
Para poder levar comigo, você, bonzinha.

sábado, 8 de outubro de 2011



Como alguém lutei
Como alguém corri
Não sei quem fui
Porém me escondi

Como as rugas em minha testa
São os trilhos e seus vagões
O quão maiores forem
Minhas esperiências se tornarão sermões

Posso nao saber
Tanto faz
Saberás o que eu digo
Só olhar para mim

Para mim
Por mim
Talvez mim seja eu.

domingo, 11 de setembro de 2011

Nadei, nadei e nadei.
Onde estou?
(...)
Arbustos e folhagens, lindas.
Para que servem?
(...)
Estupendas choupanas!
(...)
Sem minha bússola, perdido estou.
Tudo que é lindo e maravilhoso, sumiu.
Esta noite não flamejarei meu cachimbo.
Corriqueiro dia, acho que vou me deitar.
Hoje é domingo pede cachimbo, o cachimbo é de barro, bate no jarro, o jarro é de ouro, bate no touro, o touro é valente, bate na gente, a gente é fraco, cai no buraco, o buraco é fundo, acabou-se o mundo.

sábado, 23 de julho de 2011

Ame sua sogra

(...) e hoje acorda-me uma intensa vibração de particúlas sonoras, logo me indago "que porra é essa?" . Levanto, faço meu café e vejo que nada aprendi sobre andar descalço quando minha mãe falava. Resfriado estou. Ao término de minha preguiça inicia-se minhas obrigações: arrumei casa, louça, cachorro que por sinal está com pulgas, e por fim a mim mesmo, pois ao trabalho irei.
Ao subir à moto um intenso bombardeio além-vietinã sobrae-se a minha pessoa, prontamente minha cólera foi excitada. Aquele pombo é um #$%&, deixa pra lá. Descontei na piranha da vizinha que me acordou: soltei meu cachorro no quintal dela cuja graminha estava maravilhosa a defecar. Disparei ao inferno o qual vulgam trânsito. Neste dia estava costurando os carros mais do que minha vó com suas obras maravilhosas e com seus artifícios: parecem um tipo de esgrima com linhas na ponta, óbivo, um simples crochê, todavia de suma venerabilidade por parte dela. Porém minha volúpia desgraçada de pressa me condenou! Fui esvoraçado pela porta do infeliz, - que parecia uma entidade enviada pela vizinha piranha a fim de vinga-se -, que a abriu ao mesmissimo tempo com o qual eu passara. Tiro e queda, depois de uns 40 segundos praticando vôo livre caio e me esbofetizo. Não sei se foi o destino ou tão quão um sinal do anjo gabriel, olhei a placa do carro e estava " gay 0024". Juro! Levantaram-me e aos poucos fui retomando ao "agora", ainda resfriado, olho pro céu e agradeço por estar vivo, logo olho pro chão e retórico-me, - belo dia hein?! -. Volto à casa, no meio do caminho faço um jogo do bixo, joguei 24 no veado, lógico. Prossigo até a padaria e peço um pão com salsicha, o estranho era que nunca tinha visto que o garçon que me atende todos os dias era gay, mero detalhe. Degusto, alimento-me, pago e saio em retomada a minha casa. Chegando perto ouço aquele barulhento som da vizinha. Tomo coragem e vou até à porta dela apertar a campainha e com meu fura-bolo aponta-lo a ela. Ding-Dong ! Me abre a porta e com os pulmões cheios e minha boca transbordando palavras machistas olho para o lado dela e vejo o Biu, meu cachorro, todo pintado de roza, com unhas feitas, pêlo cortado e com placa de nome "Bofe". Engasguei na hora ! "Que porra é essa ? [2]". Tu me acordas e roubas meu cachorro? Um olhar atentador em meus olhos, o suspence impregnando minhas víceras e meu suor nem mais escorrendo, saltava de minha pele feito uma erupção, e ela me responde: - o cachorro cagão é seu?! Pois bem -. SBLUSH !!! Um maravilhoso balde de bolo fecal diratamente em minha face. Uma segunda mulher sobe à cena e com nojo pergunta a outra se eu era um mendigo. Desgraçada. Não! Era apenas alguém tentando ter um bom dia. Pego meu cachorro e vou pra minha casa. Chego à porta e proucuro as chaves, - onde estão?! -. Provavelmente está praticaticando o vôo até agora. Taco Biu pela janela e faço sinal pra que ele pule na maçaneta da porta e a abra. Biu mesmo nao sendo adestrado faz um contraste nas coisas erradas de meu dia e abre. Logo vejo uma sacola e um bilhete de Gabriellita, até então minha namorada, dizendo: "tudo tem explicação, menos pra marca de batom em cueca", abro a sacola e o que vejo? Minha cueca favorita suja com marca de batom, puta que pariu, desleixo meu, deve ter sido Jéssica, sua irmã, feia à pampa, sempre me deu mole e nunca quiz nada com ela, em fim, para um bom entendedor um pingo é letra, assim como para um dito de sogra é macumba de sete anos. Ao fim do dia pego resultado do jogo feito mais cedo, deu veado na cabeça, ganhei sozinho! Mas com tantos sinais e alusões em meu dia rasguei meu bilhete. Fui durmir. No dia seguinte acordo e vejo que nada adiantou, mais um azar, minha perna toda enchada, ai lembrei-me que pra sete anos falta muito!