sábado, 8 de março de 2014

Puta
livrai de mim o mal
afestai de mim aquele pau
que mataste o corvo!

Do orvo...
o orvalho; novo.

Vinde o ovo,
e galinha depois!
dois, mais dois (...)

Murra, urra e burra!
feche o tempo e pare de chover, tempestade...

Aproveite e
Pare de contar!,
 pois a descência, o animal e a flora não vão se importar
se você tenta me ler e és incapaz de compreender.

tente me ver!

domingo, 22 de dezembro de 2013

eu sou você!

O amor que você plantou, cultivou... Nasceu.

A dor que você não alimentou, piorou... e escorreu:

no canto da boca, pelo canto da boca (...)
ôca! como a sua preguiça de perceber
que você, sou eu.

sábado, 30 de novembro de 2013

A abelhinha que mordiscava o pão da janela da vizinha,
enquanto batia as asas que tinha,
já mirava o próximo voo.
Que levantou depois que o sol se foi
pra de trás do buquê de árvores
e por cima, passou, de um boi 
e um montão assim de lajes.
Mas chegando onde chegou
se lembrou de que quereria
mais,
então voou de novo por onde passou
feliz do jeito que a abelhinha faz.

sábado, 2 de novembro de 2013

Repare bem. Que mal tem?!

Palavras, vento e martírio.
São tudo a mesma coisa:
só servem
para
refrescar embaixo
da saia
da puta
que quer
se
esconder do mundo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Trovas, e trovas, e trovas...
Mas ai você bate de novo
E trevas, e trevas, e trevas...



Grita mais uma vez
...e trovas...

Desiste
...e trevas...

Cospe
...e trovas...

Olha pra traz 
...e trevas...

Olha pra frente
...e trovas...



afinal de contas...
você não merecia mesmo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Vez por outra, tenho vontade de nunca sair de meus poemas.

Neles tudo posso.
Tudo faço.
Tudo costuro.
E o faço perfeito:

A flor, o belo, o dia, o mar, o peido, o ronco, o beijo, a ignorância e o amor.

Os passos, a música, a calvice, o click, o arcaico, o jovem, a paciência, a pedra e o dinheiro.

A esperança, a vassoura, a comida, a ida (ou a vinda), a fera e ela.

A megera, o corrupto, a química, a pista, o segredo, o dedo e aquele pistoleiro.

A letra, a dança, a matança, a recaída, o adultério, o mundo, o cru e os livros.

A chuva, os planetas, as ideias, os assaltos (ou furtos), as canecas, os cafés e os quase tudo.

Menos a tinta para essa caneta...
Pois meus poemas são feitos de sonhos e, de vez em quando, eu ainda tenho que acordar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tem gente que anda te vendo
Tem gente que anda se escondendo
Tem gente que anda reparando 
Que você está caminhando.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Não há legenda, tradução ou qualquer tipo de blindagem
Não há resquício, migalha ou qualquer tipo de resto
Não há suave, só seco
Não há ternura, só indelicadeza
E também não há quem ponha a mesa
Muito menos empregado do Diabo
Muito menos um mapa
Muito menos um diário ou uma receita
Muito menos o "menos"

Só existe o tudo:
Tudo está em todos
Todos querem tudo
Sem terem nada, senão a eles mesmos.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ás


Não havia cartada decisiva. 
A manga estava vazia. 
(Como vazia está a praça, a página). 
O fato é que não deu, mas poderia ter dado.
...
Já que não deu, por que ainda pensar? 
-Dor física é muito insignificante e vaga perto do pretérito descuido e posterior arrependimento.
Se ausentar por covardia 
-constrói o martírio retórico
Descartar a oportunidade de agir ou de consequência
-é renegar a vida.
Mas remoer palavras em mente?
-é beijar o inferno à lábios secos.

A última 'carta' nem sempre está às mãos de fato.

quarta-feira, 26 de junho de 2013


O contraste do ambiente era macabro.

Raízes em lugar de frutos.
Sombras em lugar de Sol-nascente.
Era lama em pleno deserto.

E só porque era deserto, era certo aquela miragem?
E quem disse que a margem era segura?



O barulho veio conforme....
conforme...
um enorme...
enorme número de motivos.
motivos macabros;
macabros insultos;
e por ser insulto, logo ofensivo
porém, quanto mais ofensivo me tornava, mais recuava
e dava 
para ver que
conforme frutos mesquinhos iam nascendo
eu ia recuando,
mas nadando não era possível,
então me tornei passível.
passível de erro
e quando errei
ignorei
ignorei
...ignorei

e quando me dei conta vi que  
 o contraste do ambiente se tornava macabro
raízes em lugar de frutos 
sombras em lugar do Nascente 
Era lama em pleno deserto (...)