domingo, 20 de abril de 2014

Gentileza em Porções

E de repente você entra sem bater, invade,
................e toca no âmago de minha intimidade.

Você que não tem pudor algum, muito menos escrúpulo,
(contudo o melhor do cinismo),
................canta a mais bela lira do herói Gigolô!
Passa a viver debaixo de meu teto,
 sob minha indecência
e sobre minha descendência.

Me esconde do terror e da tormenta,
escreve o meu quintal,
floreia o meu jardim,
e dança a valsa casamenteira comigo.

Você que nunca disse uma só palavra,
me fez o melhor discurso de todos!

Me calçou os pés e
os coloriu com giz-de-cera.

Me satisfiz.







sábado, 12 de abril de 2014

Como sois o que pensais que eis?
Com cujos pergaminhos mais imprudências e audácias?

Como é o que pensa que é?
cheio dessas parafernalhas de sempre.

Sem tua sopinha de letras para nadar, não és nada!

Te olho do canto.
Mas não é para o canto que tu olhas.
Te olho do espelho.
Mas não é para lá que me procuras.
Tento uma vez mais, através da coisa mais simples que já vira...
e o que acontece?
Nada.
Parabéns. És para lá mesmo que vais se não começar a reparar melhor.

sábado, 8 de março de 2014

Puta
livrai de mim o mal
afestai de mim aquele pau
que mataste o corvo!

Do orvo...
o orvalho; novo.

Vinde o ovo,
e galinha depois!
dois, mais dois (...)

Murra, urra e burra!
feche o tempo e pare de chover, tempestade...

Aproveite e
Pare de contar!,
 pois a descência, o animal e a flora não vão se importar
se você tenta me ler e és incapaz de compreender.

tente me ver!

domingo, 22 de dezembro de 2013

eu sou você!

O amor que você plantou, cultivou... Nasceu.

A dor que você não alimentou, piorou... e escorreu:

no canto da boca, pelo canto da boca (...)
ôca! como a sua preguiça de perceber
que você, sou eu.

sábado, 30 de novembro de 2013

A abelhinha que mordiscava o pão da janela da vizinha,
enquanto batia as asas que tinha,
já mirava o próximo voo.
Que levantou depois que o sol se foi
pra de trás do buquê de árvores
e por cima, passou, de um boi 
e um montão assim de lajes.
Mas chegando onde chegou
se lembrou de que quereria
mais,
então voou de novo por onde passou
feliz do jeito que a abelhinha faz.

sábado, 2 de novembro de 2013

Repare bem. Que mal tem?!

Palavras, vento e martírio.
São tudo a mesma coisa:
só servem
para
refrescar embaixo
da saia
da puta
que quer
se
esconder do mundo.

domingo, 13 de outubro de 2013

Trovas, e trovas, e trovas...
Mas ai você bate de novo
E trevas, e trevas, e trevas...



Grita mais uma vez
...e trovas...

Desiste
...e trevas...

Cospe
...e trovas...

Olha pra traz 
...e trevas...

Olha pra frente
...e trovas...



afinal de contas...
você não merecia mesmo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Vez por outra, tenho vontade de nunca sair de meus poemas.

Neles tudo posso.
Tudo faço.
Tudo costuro.
E o faço perfeito:

A flor, o belo, o dia, o mar, o peido, o ronco, o beijo, a ignorância e o amor.

Os passos, a música, a calvice, o click, o arcaico, o jovem, a paciência, a pedra e o dinheiro.

A esperança, a vassoura, a comida, a ida (ou a vinda), a fera e ela.

A megera, o corrupto, a química, a pista, o segredo, o dedo e aquele pistoleiro.

A letra, a dança, a matança, a recaída, o adultério, o mundo, o cru e os livros.

A chuva, os planetas, as ideias, os assaltos (ou furtos), as canecas, os cafés e os quase tudo.

Menos a tinta para essa caneta...
Pois meus poemas são feitos de sonhos e, de vez em quando, eu ainda tenho que acordar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Tem gente que anda te vendo
Tem gente que anda se escondendo
Tem gente que anda reparando 
Que você está caminhando.