domingo, 22 de junho de 2014

Raízes

Ele já arrumava as suas coisas de casa do jeito certo...
Já fazia as amizades no nível seguro...

Os sapatos, sempre do lado de fora.
A louça, sempre limpa.
Mochilas nunca desfeitas totalmente e sempre acessíveis.
(...)
Parecia que ele andava sempre calculando alguma coisa.
Dele, nunca se ouvia reclamações de problemas.

Até que um belo dia acordei...
e outra pessoa contava essa mesma história em algum lugar mundo afora.

domingo, 8 de junho de 2014

E se com todo dinheiro do mundo fosse capaz?
E se toda beleza do mundo fosse imunda e negasse a paz?
E se enganar por enganar fosse sempre sem querer ?
E se as perguntas, ao meu ver, perguntassem sem serem vistas?
E se todas cristas, de galo, nascessem no pé?
Nem todo Zé, todavia, te daria todas as discas.
Não perca as iscas!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Me dá um pedaço?, vou dar uma dica...
não é nariz nem braço
ecoa barulho e não pisca
não risca, não é pista!
Tem gosto-chinelo e tem gosto de diabo
não combina com quiabo e muito menos com alho.
Só sei que na batalha, com o diabo, não é a cera, a luz ou a pêra que empentelha...
O que mais poderia ser, senão a orelha?

domingo, 20 de abril de 2014

Gentileza em Porções

E de repente você entra sem bater, invade,
................e toca no âmago de minha intimidade.

Você que não tem pudor algum, muito menos escrúpulo,
(contudo o melhor do cinismo),
................canta a mais bela lira do herói Gigolô!
Passa a viver debaixo de meu teto,
 sob minha indecência
e sobre minha descendência.

Me esconde do terror e da tormenta,
escreve o meu quintal,
floreia o meu jardim,
e dança a valsa casamenteira comigo.

Você que nunca disse uma só palavra,
me fez o melhor discurso de todos!

Me calçou os pés e
os coloriu com giz-de-cera.

Me satisfiz.







sábado, 12 de abril de 2014

Como sois o que pensais que eis?
Com cujos pergaminhos mais imprudências e audácias?

Como é o que pensa que é?
cheio dessas parafernalhas de sempre.

Sem tua sopinha de letras para nadar, não és nada!

Te olho do canto.
Mas não é para o canto que tu olhas.
Te olho do espelho.
Mas não é para lá que me procuras.
Tento uma vez mais, através da coisa mais simples que já vira...
e o que acontece?
Nada.
Parabéns. És para lá mesmo que vais se não começar a reparar melhor.

sábado, 8 de março de 2014

Puta
livrai de mim o mal
afestai de mim aquele pau
que mataste o corvo!

Do orvo...
o orvalho; novo.

Vinde o ovo,
e galinha depois!
dois, mais dois (...)

Murra, urra e burra!
feche o tempo e pare de chover, tempestade...

Aproveite e
Pare de contar!,
 pois a descência, o animal e a flora não vão se importar
se você tenta me ler e és incapaz de compreender.

tente me ver!

domingo, 22 de dezembro de 2013

eu sou você!

O amor que você plantou, cultivou... Nasceu.

A dor que você não alimentou, piorou... e escorreu:

no canto da boca, pelo canto da boca (...)
ôca! como a sua preguiça de perceber
que você, sou eu.

sábado, 30 de novembro de 2013

A abelhinha que mordiscava o pão da janela da vizinha,
enquanto batia as asas que tinha,
já mirava o próximo voo.
Que levantou depois que o sol se foi
pra de trás do buquê de árvores
e por cima, passou, de um boi 
e um montão assim de lajes.
Mas chegando onde chegou
se lembrou de que quereria
mais,
então voou de novo por onde passou
feliz do jeito que a abelhinha faz.

sábado, 2 de novembro de 2013

Repare bem. Que mal tem?!

Palavras, vento e martírio.
São tudo a mesma coisa:
só servem
para
refrescar embaixo
da saia
da puta
que quer
se
esconder do mundo.